Por que alguns bebês só brincam com o que não podem?
Acho que todos os pais, ao menos uma vez, se perguntaram porque seu bebê não brinca, ou não brinca tanto, com o que deveria. Em determinados momentos, parece que tudo é mais atrativo do que o brinquedo. Nesse post, vou tentar explicar o porquê.
Pra começar, é importante entender que o que nós, adultos, entendemos como brincar, é BEM diferente do que um bebê entende. Uma criança com 2 anos de idade está na fase que se chama “estágio pré operatório” do desenvolvimento, marcado pela explosão linguística (eles falam, falam e só falam) e pela expressão da simbologia – que podemos chamar de imaginação. Uma criança de 2 anos está no auge do seu desempenho lúdico, e ela entende o brincar de uma forma plena e bem parecida com o que nós, adultos, definiríamos: a criança brinca de ser o que quiser, com quem quiser, num universo totalmente imaginário, ou totalmente parecido com o real. Um bebê, por outro lado, não tem esse entendimento; com menos de um ano, a brincadeira é a forma com que o bebê interage e conhece o mundo. Os bebês não tem discernimento para distinguir o que é brincadeira, bem como não sabem distinguir o que é brinquedo e o que não é. E aí acontece a famosa cena em que seu filho recebe um lindo presente, você mesmo abre (já que ele ainda não sabe) e ele se encanta mais com a embalagem do que com o conteúdo em si.
Sendo assim, a criança não vai brincar com um carrinho se ele simplesmente vive lá jogado no chão. Se seu filho não tem o costume, ELE NÃO VAI BRINCAR COM SEUS BRINQUEDOS SE NÃO VER NINGUÉM BRINCANDO TAMBÉM. Por que a maioria dos bebês se interessa por aparelhos celulares? Porque eles veem a maioria dos adultos ao seu redor fazendo uso de aparelhos celulares. A tomada, o controle remoto, a escova de cabelos, a pomada... todos esses objetos parecem mais interessantes para o bebê, porque ele vê esses objetos sendo manipulados com muito mais frequência do que vê seus brinquedos sendo usados por um adulto.
Aqui seguem algumas dicas do que fazemos aqui em casa para estimular Bernardo a brincar de forma saudável:
1) Brinque com seu bebê! Para despertar a curiosidade, para ensinar as peculiaridades de cada brinquedo, para estimular o desenvolvimento... tem que sentar com a criança e brincar! Dividir esse momento precioso, além de fortalecer o vínculo com o seu filho, é uma forma de apresenta-lo a novas descobertas e acompanhar o crescimento dele.
2) Invista em brinquedos que se pareçam com utensílios do dia a dia. Aqui em casa, a bola da vez são as panelas. Apesar de ter recebido críticas (ultrapassadas, por sinal) por ter presenteado meu menino com utensílios de cozinha, é um dos brinquedos que ele mais gosta! Mexer com as colheres na panela é algo bem próximo da realidade, porque ele sempre vê a gente manipulando os alimentos pra ele. Isso, inclusive, o estimulou a tentar segurar a colher para levar seu almoço à boca, ainda com nove meses de idade.
3) Não deixe todos os brinquedos disponíveis de uma só vez. A partir dos nove meses, o bebê tende a despertar curiosidade sobre objetos isolados e a forma como funcionam. O mais comum, para o bebê, é que ele escolha um objeto qualquer e tente explorar suas texturas e as coisas que esse objeto pode fazer (ex.: pega o carrinho, toca na roda, acha engraçado, toca repetidamente). A repetição, nessa fase, é interessante pra eles. Como os bebês também tendem a rapidamente perder o interesse, deixamos sempre alguns brinquedos disponíveis, mas não muitos, para não confundir e fazer com que perca o interesse em todos (risos). No fim das contas, infelizmente, Bernardo acaba indo parar na tomada.
4) Troque algo “proibido” por um brinquedo. Com 10 meses recém completos, Bernardo obviamente não tem noção do que pode e do que não pode. Ainda assim, respeitando as limitações, nós adultos podemos ensinar muita coisa. Toda vez que Bernardo faz algo “proibido”, como por exemplo botar o dedo na tomada, dizemos não (balançando a cabeça negativamente), tiramos a mão dele da tomada e oferecemos um brinquedo. A importância de gesticular, fazendo não com a cabeça além de falar, é que antes de entender os significados verbais, a criança aprende as expressões faciais e corporais. Hoje, quando Bernardo faz algo que sinalizamos que é errado, ele mesmo balança a cabeça negativamente. Claro que ele não tem a perfeita noção do que aquilo significa. Mas, com o tempo, ele vai aprender.
5) Proibir não é o remédio. O ser humano é curioso por natureza. A proibição ríspida e crua pode acabar despertando a curiosidade da criança, e isso vai fazer com que ela procure um momento de liberdade (ou seja, em que não estiver sendo monitorada) para fazer o que não deve. O ideal é deixar objetos e espaços perigosos fora do alcance da criança, e orientá-la aos poucos pra que ela cresça entendendo o que não pode fazer, e quais os riscos caso o faça.
No mais, A Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada na Assembleia Geral da ONU em 1959, enfatiza: “Toda criança terá direito a brincar e a divertir-se, cabendo à sociedade e às autoridades públicas garantirem a ela o exercício pleno desse direito.” Com brinquedo ou sem brinquedo, cabe a nós, pais e cuidadores, fazer desse brincar o mais saudável possível.







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