"Eu posso ingerir bebida alcoólica se estiver amamentando?"
A primeira resposta que se pensa para essa pergunta é não. O etanol (álcool) é uma molécula pequena e solúvel em água, o que faz com que ele chegue rapidamente à corrente sanguínea - e, daí, chega até o leite materno, passando para o bebê. O Ministério da saúde recomenda o uso criterioso durante a amamentação: a ingestão de dose igual ou menor a 0,3 gramas de álcool por quilo de peso da mãe, o que equivale a aproximadamente 0,4 mL de álcool por quilo. Uma mamãe que pese setenta quilos, então, poderia ingerir até 28 mL de álcool puro sem que isso interfira na produção ou no sabor do seu leite.
Sim, o álcool, em quantidade elevada, interfere na produção do leite. Existe um pensamento popular de que bebidas alcoólicas são galactogênicas: no México, mulheres que amamentam são aconselhadas a ingerir até 2 litros de pulque, uma bebida fermentada de baixo teor alcoólico; na Alemanha, a cerveja é considerada um "elixir mágico"; no Brasil, muitas mulheres são estimuladas a beber cervejas escuras e "fortificadas". Apesar da ingestão de álcool realmente aumentar o nível de prolactina, não existe comprovação do seu efeito galactogênico ou tranquilizante nos bebês. Para as mães que referem o aumento na produção de leite após ingestão de bebidas alcoólicas, a causa mais provável é a ingestão de água presente nas bebidas, que está diretamente relacionada a quantidade de leite materno produzido.
O pico de absorção, ou seja, o momento de maior concentração do álcool após sua ingestão, corresponde de 30 minutos a uma hora, tanto no sangue quanto no leite materno. O consumo de álcool com alimentos pode retardar em até 90 minutos o pico do leite materno, podendo variar de mãe para mãe. Portanto, após a ingestão de uma dose de bebida, se a mãe não quer que nenhuma quantidade de álcool passe para o seu bebê, recomendado é que não se amamente por, pelo menos, duas horas.
Existe alguma dosagem segura de álcool? De acordo com a Associação Americana de Pediatria, dosagens não prejudiciais seriam: 340 mL de cerveja, 113 mL de vinho ou 28 mL de alguma bebida destilada. Isso serve para consumo esporádico, e seguindo a norma de esperar duas horas até amamentar pela próxima vez. O consumo frequente de álcool, dentre outros prejuízos, pode interferir na produção, reduzindo a oferta de leite materno. Como cada pessoa tem seu próprio grau de tolerância ao álcool, o que parece ser uma quantidade pequena de bebida pode alterar a sua capacidade de cuidado; portanto, é ideal que a mãe tenha alguém para cuidar do bebê, ou ao menos ajudar, nessas ocasiões.
Então, o que fazer?
Eu não gosto muito dessa ideia de ficar contando os mL para beber. Por isso, das vezes em que fiz ingestão de bebida alcoólica, preferi horários em que sabia que o meu filho não iria querer mamar tão cedo: logo após ele dormir, ou no momento de suas refeições, já que meu filho não costuma mamar de barriga cheia, o que me dá um período livre até a próxima mamada. Não ingeri álcool durante a amamentação exclusiva, pois amamentava em livre demanda então não existia esse "período livre para beber". Ainda assim, sempre ordenhei leite antes, que é o que acho mais seguro. Em frasquinhos esterelizados de plástico, ou em potinhos de vidro, a mãe pode ordenhar o seu leite, e mantê-lo refrigerado para períodos de necessidade. Assim, se o bebê precisar do leite materno e você tiver bebido, poderá ofertar leite seguro e sem álcool para o seu filho/sua filha. É importantíssimo que a mãe não deixe de desfrutar momentos de lazer após a maternidade, e mais importante ainda é fazer isso preservando a sua segurança e a segurança da sua cria.
Referências:
https://www.healthychildren.org/English/ages-stages/baby/breastfeeding/Pages/Things-to-Avoid-When-Breastfeeding.aspx
http://www.scielo.br/pdf/rpp/v31n2/10.pdf
http://www.cisa.org.br/artigo/5536/metabolismo-alcool.php



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